CAPRINOCULTURA SUSTENTÁVEL
A criação de caprinos e ovinos tem sido uma alternativa de alimentação para boa parte dos brasileiros, principalmente para os nordestinos. Além da carne e do leite, o couro ou a lã têm permitido também a obtenção de uma renda extra para os pequenos criadores.
O Brasil tem um grande potencial de crescimento em relação à criação de caprinos e ovinos. Não se trata apenas de aumentar os rebanhos e sim, de melhorar a qualidade genética de cabras e ovelhas, cuidar da saúde
dos animais e zelar pela higiene dos produtos.
Selecionar a forrageira mais adequada:
Existem várias forrageiras recomendadas para a formação de pastagens na região Semi-Árida. Escolher uma boa área para plantio (se possível, providenciar análise do solo).
Limpar a área com o mínimo de remoção do solo.
Fazer a adubação de acordo com as recomendações da análise do
solo.Plantar com o espaçamento recomendado
e na época correta. Aplicar os tratos culturais necessários(limpas, adubações de manutenção,controle de pragas).
Os restos culturais representam outra importante alternativa como alimentos volumosos, para os caprinos e ovinos. Os mais importantes são:
• Palhadas e cascas de feijão.
• Palhadas e sabugos de milho.
• Palhadas e panículas de sorgo.
• Folhagem e manivas de mandioca.
• Resíduos do desfibramento do sisal.
• Subprodutos da agroindústria (fruteiras
em geral e outros resíduos).
Os resíduos devem ser triturados antes de serem dados aos animais.
A qualidade desses materiais pode serbastante melhorada se forem tratados com uma solução de uréia (1 quilo diluído em 5 ou 6 litros de água), em um processo chamado de amonização.
Procure orientação de um técnico local sobre esse processo.
Tanto para caprinos como para ovinos, a questão da reprodução é de grande importância. A reprodução dos animais implica em melhoria do rebanho, maior produtividade e menor ocorrência de problemas de saúde e planejamento da produção.
Para ter um rebanho produtivo e com os resultados esperados é preciso seguir
algumas recomendações técnicas, que envolvem desde a compra do reprodutor e da matriz, continuando com o adequado manejo das crias durante o crescimento até a maturidade sexual. Essas técnicas vão permitir
o manejo correto dos animais, de acordo com a exploração desejada.
Nenhum criador que pretenda oferecer produtos de qualidade e ganhar dinheiro com sua atividade, poderá ter animais doentes em seu rebanho. Muitas vezes, a manutenção da saúde dos animais depende apenas da adoção de técnicas simples, fazendo o que é necessário, no momento certo. A seguir, encontra-se as principais recomendações para que os caprinos ou os ovinos.
É importante que o produtor esteja familiarizado com o comportamento de caprinos e ovinos, para que possa reconhecer, imediatamente, qualquer alteração de saúde nos animais.
Caprino e ovino saudáveis apresentam:
• Vivacidade e altivez.
• Apetite normal (come com prazer alimentos de boa qualidade).
• Pêlos lisos e brilhantes.
• Temperatura corporal que varia entre
38,5 °C e 40,5 °C.
• Fezes em forma de bolotas e urina de
coloração amarelada, com odor forte.
• Ruminação presente.
• Desenvolvimento do corpo conforme
a idade e a raça.
O manejo sanitário é realizado para manter a saúde dos animais, controlando e
prevenindo as doenças, tornando os rebanhos mais sadios e mais produtivos.
Siga as recomendações a seguir:
• Limpe os chiqueiros e apriscos pormeio de varredura.
•Lave os bebedouros diariamente.
• Limpe os comedouros diariamente,
não deixando alimentos velhos e
estragados.
• Desinfete, mensalmente, as instalações
com creolina ou vassoura-de fogo
O esterco caprino é um fertilizante valioso, que pode ser usado na
adubação de capineiras, pastagens, bancos de proteína, na agricultura e na
recuperação de áreas degradadas.
Os dejetos produzidos por caprinos podem conter
até 3,0 e 2,0% de N e P, respectivamente, o que representa excelente fonte de
nutrientes em substrato para a digestão anaeróbia ou a compostagem e 41
vermicompostagem, pois além das concentrações de nutrientes otimizarem a
atividade dos microrganismos, podem retornar ao solo de maneira não
prejudicial e mais assimilável pelas plantas.
O vermicomposto é um insumo largamente utilizado na agricultura,
principalmente orgânica. É um composto de baixo custo de produção, de fácil
implantação e com possibilidade de inclusão social.
A implantação da produção de vermicomposto também pode gerar
benefícios para a saúde pública ao evitar doenças resultantes da deposição
inadequada de resíduos sólidos.
Húmus é um produto orgânico, inodoro, leve, solto, macio, finamente
granulado, asséptico, rico em sais minerais assimiláveis pelas plantas, estável,
com pH 7 (neutro), podendo ser utilizado diretamente sobre as raízes.
Propriedades gerais do húmus:
• Produto natural; não agride o meio ambiente e mantém a biologia do
solo.
• Melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, auxiliando
na recuperação de áreas degradadas.
• Impede a compactação de solos argilosos e promove a agregação de
solos arenosos.
• Fonte de nutrientes para as plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio,
cálcio e magnésio.
• Aumenta a capacidade de retenção de nutrientes dos solos.
• Reduz a lixiviação de nutrientes do solo.
• Quando utilizado juntamente com adubos químicos, potencializa a ação
dos mesmos.
• Reduz a toxicidez de agrotóxicos.
A vermicompostagem é a transformação biológica de resíduos orgânicos,
utilizando minhocas para acelerar o processo de decomposição, resultando no
húmus.
A compostagem é um processo de decomposição aeróbica, havendo
desprendimento de gás carbônico, água e energia pela ação de microrganismos.
Em consequência, a pilha atinge temperatura elevada, resfria e atinge a
maturação .
As minhocas sobrevivem e se reproduzem nos substratos e o esterco é o
que possibilita a maior taxa de multiplicação, sendo que a integração de
processos de compostagem e vermicompostagem, com e sem esterco, produz
adubos com características químicas similares .
Criação de caprinos e ovinos / Embrapa Informação Tecnológica; Embrapa Caprinos. – Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2007. 89 p. : il. – (ABC da Agricultura Familiar, 19).


